LCI e LCA: a isenção de IR ainda faz sentido em 2026?
Com as mudanças nas regras de isenção e as taxas atuais, a conta nem sempre fecha a favor dessas aplicações. Fizemos o cálculo por você.
Durante anos, LCI e LCA foram a resposta automática para quem perguntava "onde colocar dinheiro sem pagar IR". A lógica era simples: isenção de imposto de renda para pessoa física, liquidez razoável, cobertura do FGC. Parecia perfeito.
Mas o mercado mudou. As taxas dessas letras caíram, as regras de prazo mínimo foram alteradas, e o CDB de banco médio passou a oferecer rentabilidade bruta suficientemente alta para compensar o IR. A isenção deixou de ser automaticamente vantajosa.
A matemática da isenção
Para comparar LCI/LCA com CDB, você precisa calcular a taxa equivalente. Uma LCI pagando 88% do CDI equivale a um CDB pagando aproximadamente 103% do CDI para quem aplica por dois anos (alíquota de 15% de IR). Se você encontra um CDB a 110% do CDI, o CDB ganha.
O problema é que muita gente não faz esse cálculo. Vê "isento de IR" e para de pensar. O banco sabe disso — e às vezes oferece LCI com taxas que, depois de feita a conta, perdem para o CDB tributado.
Quando LCI/LCA ainda faz sentido
Para prazos curtos (até 180 dias), a alíquota do IR no CDB é de 22,5%. Aí a isenção da LCI/LCA tem mais peso. Se a LCI paga 90% do CDI e o CDB paga 100%, a LCI ainda ganha no curto prazo.
Também faz sentido para quem tem muita renda tributável e quer diversificar a carga fiscal — embora essa seja uma consideração mais sofisticada.
A regra prática: sempre faça a conta antes. Não existe produto automaticamente melhor. Existe taxa, prazo e perfil de risco.
Economista e ex-analista de renda fixa. Escreve sobre investimentos no Dinheiro Direto desde 2020.